Rita Casaro – Comunicação SEESP
Represa que abastece 5 milhões de pessoas em São Paulo pode deixar de ser viável à captação de água devido à poluição. Seminário sobre o tema será realizado em 14 de agosto.
Ricardo Teixeira, Murilo Pinheiro e Fernando Gomes: tema urgente para a capital em debate. Fotos: Giovanna TinoUtilizada como reservatório desde 1928, a Represa do Guarapiranga, na Zona Sul da capital paulista, corre hoje o risco de eutrofização. Ou seja, o acúmulo de esgoto bruto despejado no local pode inviabilizar a utilização de seus recursos hídricos para abastecimento. Se nada for feito, 5 milhões de habitantes perderão sua fonte de água.
A questão foi objeto da reunião do Conselho Tecnológico do SEESP, realizada nesta quarta-feira (27/5), com a participação do presidente da Câmara Municipal, Ricardo Teixeira. O risco socioambiental iminente foi explanado pelo engenheiro Fernando Gomes. Ele apresentou a proposta elaborada pelo sindicato de promover a campanha “Salve o Guarapiranga”, que será objeto de um seminário a ser realizado no próximo dia 14 de agosto próximo.
“A ideia é contar com todas as partes interessadas, inclusive o turismo”, destacou. Ele apontou ainda o imbróglio de governança hoje envolvido na questão, já que a represa pertence à Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE), antiga estatal privatizada em 2024 e posteriormente comprada pela Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), que havia sido entregue ao mercado no mesmo ano, deixando também de ser pública. “Há um conflito entre o uso para abastecimento humano e geração de energia. E, com a privatização, existe conflito entre a busca do lucro e o objetivo social das empresas”, lembrou.
Diante da complexidade e gravidade da situação, a ideia é construir uma discussão que aponte soluções, enfatizou o presidente do SEESP, Murilo Pinheiro.
Teixeira colocou-se à disposição para integrar o debate e reforçou a relevância da iniciativa: “É um dos maiores problemas da cidade. Vocês estão de parabéns por trazer esse tema, que precisa chegar à sociedade.” E criticou: “A Guarapiranga ficou conhecida como o ‘penicão’. Cobra-se o esgoto, mas não se trata.”
Postes, transporte e conferência da engenharia
Entraram na pauta do encontro com presidente da Câmara, ainda, outros temas da engenharia em debate no Conselho. Marcius Vitale, coordenador do Conselho Assessor de Telecomunicações, falou sobre o workshop agendado para 25 de junho, a partir das 13h, no auditório do SEESP, que terá como tema “Compartilhamento de postes e infraestrutura inteligente – Engenharia, inovação e segurança”.
Allen Habert, Marcius Vitale e Edilson Reis: Conferência da Engenharia, compartilhamento de postes e mobilidade em pauta. Em três painéis, o evento colocará em pauta a melhoria de procedimentos de planejamento, projetos, implantação, operação, manutenção, fiscalização e gestão da infraestrutura aérea de cabos em postes. “O objetivo é termos um padrão, que hoje não existe”, afirmou.
Edilson Reis, integrante do Conselho Assessor de Transporte e Mobilidade, sugeriu a Teixeira que a Câmara Municipal faça o debate defendido pelo SEESP sobre o “não transporte” ou “cidade de 30 minutos”. A ideia é, para além de garantir que os sistemas sobre pneus e trilhos atendam à população, perseguir a reorganização urbana que permita às pessoas terem acesso a trabalho, educação, lazer, cultura, comércio e demais serviços públicos na região onde moram, evitando que milhões de cidadãos precisem atravessar a Capital todos os dias. Além disso, acrescentou, defende-se a mobilidade ativa, a pé ou por bicicleta, por exemplo, para pequenas distâncias.
Teixeira aproveitou o mote para propor ao SEESP que faça o debate também sobre a proliferação de bicicletas elétricas ou pequenas motos com potência até 1000W, para as quais não se exige emplacamento ou CNH. “Há um lobby para que andem nas faixas de bicicletas”, pontuou. Na sua opinião, o fenômeno é um problema de segurança no trânsito, especialmente em locais com maior concentração de idosos.
Allen Habert fez o convite ao vereador para participar da 1ª Conferência Nacional da Engenharia, que acontecerá nos dias 16, 17 e 18 de novembro, na Universidade de São Paulo (USP), destacando a relevância do evento que inaugura o protagonismo da profissão nesses processos públicos de debates programáticos organizados pelo governo federal.
Ao encerramento, o presidente do SEESP recordou ainda outra parceria entre a entidade e a Presidência da Câmara que está em estudo: a proposta de projeto de lei para estabelecer a obrigatoriedade de laudo técnico de manutenção para edifícios públicos e privados com mais de quatro pavimentos no Município de São Paulo.
Reunião do Conselho Tecnológico realizada na sede do SEESP nesta quarta (27/5): tecnologia, desenvolvimento e políticas públicas em discussão.

